Balé de bonecos

Numa noite, escura e gélida, a mágica acontece e a vida se torna clara. Vida que é movimento, ânima, até em objetos inanimados.

Primeiro, aquela porcelana empoeirada, que à luz da lua dança e convida os outros a dançarem com ela. Depois, vem as bonecas de plástico dos mais diversos modelos e visões. Sempre sorridentes, encantam a todos e dá vida aos mesmos. Após, as caixas surpresas, os bonecos de ação, bonecos de pano... Não importa do que sejam as vísceras (pano, plástico ou enchimento), viveram, sorriram, brincaram.

No auge de uma lua esbranquiçada, a criança acorda e vê a vida. Encantada, fica no meio da roda a admirar, enquanto os bonecos a convidavam para brincar.

E quando a lua desaparece, tudo volta ao seu devido lugar. A vida continua lá, mas a mágica se esconde, como desaparecesse diante dos olhos da criança. Os movimentos dele se tornariam os dela e ela volta a brincar normalmente, sempre com os mesmos brinquedos. A boneca de porcelana empoeirada, a que convidou todos, ficou de lado, empoeirada na estante e esquecida para sempre.

Ana Luiza Pereira

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