Espelho, espelho meu

Admito evitar olhar para o espelho. Mas quando olho, posso ficar horas ali parada me observando.  Não, não sou narcisista ou algo do gênero, pode ser que algum dia eu fui, mas não me recordo muito bem desses tempos dourados e da brilhantina. Na verdade, a primeira coisa que observo ao olhar aquele reflexo no espelho que eu reconheço ser eu por simplesmente imitar meus movimentos são os que os outros falam ou pensam de mim. Como é meu corpo, minha pele, meu sorriso, meu jeito de andar, jeito de agir, jeito de lidar... Tudo. Após analisar a vericidade desses pensamentos alheios, eu começo achar quem eu sou. Aquilo que eu vejo não são mais meus olhos, boca, rosto...Nem minha genética, árvore genealógica... Nada disso. Vejo minhas cicatrizes, minhas decisões, aquilo que passei e que me formou. Não evito de olhar para o espelho porque vejo o que me tornei, evito olhar para o espelho para não saber o que pensam de mim. É entristecedor ver isso, então tapo meus olhos para não olhar a vericidade no olhar do outro no meu reflexo do espelho, olho apenas minhas decisões. Afinal, sem elas, como seria meu reflexo no espelho hoje?

Ana Luiza Pereira

0 comentários:

Postar um comentário

Comenta, por favor!